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sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Poema do meu amigo Jorge.




Segredos do Vento

Um sopro percorreu o campo
Espalhou-se pela cidade
Pelas frestas das casas
Sem licença, invade

E carrega consigo os segredos
Das casas por onde andava
O amor de João e Cristine
Até o perfume que ela usava

Também leva a dor de Maria
Que do marido apanhava
E o menino que tudo via
Seu choro o vento levava

No escurinho da calçada
Assistiu um beijo roubado
Moça nova de pai brabo
Com o primeiro namorado

Na igreja lá da vila
A vela quase apagou
Um arrepio nos presentes
Até o padre gelou


Era o velório do Bento
Pouca gente ali chorava
Credores, bêbados, prostitutas
Mais um que desencarnava

E seguia o vento seu destino
Encheu-se de enorme alegria
Ao ouvir o choro de um menino
Que há pouco, à luz, surgia

E soprava por todos os lados
Contava a todos o que sabia
Mas cada qual, na sua vida
Ouvia, mas não entendia

Que o vento que tudo assiste
Tristezas, vida, morte, alegria
Conta a todos seus segredos
Fofoqueira ventania

João Jorge Santos

Na noite fria o vento invade a choupana
cuidado com o que dizes
pois ele é fofoqueiro
assim nos conta o poeta da choupana......

Salve Jorge!

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Poesia de Primavera.... de Jorge Santos.


Um poema do amigo Jorge Santos.


A Primavera

Sopra fraco, mas ainda sopra
Aquele vento castelhano
As manhãs ainda são frias
Resquícios do Minuano
Que outra vez foi embora
Mas volta no próximo ano

Os ventos que sopram agora 
Batem portas e janelas
Espalham o perfume das flores 
Fazem as fêmeas ainda mais belas
Para o príncipe encantado
Que procura a Cinderela

Pelas ruas, alegria
E corpos embranquiçados
Que tanto tempo escondidos
Do inverno, que agora é passado
Buscam o sol da primavera
Num olhar apaixonado

Os casais apaixonados
Aquecem-se ao sol primaveril
Que ao esconder-se à tardinha
Traz de volta aquele frio
Que aproxima os amantes
Na temporada do cio

O verde, o vermelho, o amarelo
Pintam o novo cenário
O griteiro dos pardais
O concerto do canário
E os sinos de Ave Maria
Soam com o sol no campanário

Surgem flores nas janelas 
E no cabelo da menina
Nos vestidos das senhoras
Pelos jardins, nas vitrinas
Pelos versos do poeta
Que na primavera se alucina 

E o poeta, tudo observa
Nada escapa aos olhos seus
Pandorgas, nuvens, abelhas
Fazem rimas em versos seus
Que quase desaparecem
Diante da primavera
A poesia de Deus