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sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Palavras de Bruxas.




Bem, vocês perguntam, após a questão da nudez, e o deus com chifres e cauda bipartida? Que tal o Velho Cornífero? Você realmente adora o Diabo? Não há fogo sem fumaça.

O velho Cornífero? Sim. O Diabo, princípio do mal? Não. O Deus de Chifres, para as bruxas, é o companheiro masculino da Deusa Tripla. Ele é dinâmico, a força vital, aspecto masculino de toda a natureza. Nós o veneramos porque veneramos a vida. Ele possui chifres e cauda, que denotam seu conhecimento instintivo e animal, sua sapiência natural. Este Deus é parte bicho e parte homem, mescla da força vital e perícia xamânica. O Deus Cornífero, como a Deusa, é sexual, terreno, apaixonado e sábio. Cruel e mau ele não é. Entre os dois, a Mãe Deusa e seu companheiro, se constrói o mundo. Eles o construíram de amor e desejo. Portanto, a sua sexualidade é uma força vital sagrada, verdadeira experiência espiritual. Potencialmente, a mais espiritual das experiências.

Talvez este seja o fato mais surpreendente de todos a respeito da feitiçaria. Não deveria ser. Mas preciso admitir que neste mundo, como ele é atualmente, a maioria das pessoas encontra dificuldades em relacionar sexo com espiritualidade. É contra tudo que as religiões patriarcais ensinaram sobre o sexo, como vergonhoso e sujo (no máximo necessário para a continuidade da espécie).

Beth Rae

Palavras de Bruxas.




Afirmo que a bruxaria, pelo menos potencialmente, é uma religião purificadora.
De onde ela recebe suas credenciais? Qual é a sua história? A feitiçaria provém do paganismo. Mais especificamente, é um ramo do paganismo com raízes no passado neolítico.

Evoluiu e se manteve durante milhares de anos de perseguição. No tempo presente, é um sistema de crenças e práticas encantatórias, dedicado à restauração da harmonia perdida entre a humanidade, e aos aspectos sutis, transracionais da vida e seus mistérios. Acreditamos que será também a restauração da harmonia perdida entre o ser e a Mãe Terra. Renascendo agora, é, contudo, uma forma da velha religião. Sabemos hoje por que foi classificada como má. Pois tal calúnia é a prática comum, sempre que uma nova religião substitui a antiga. As feiticeiras não são necessariamente más. Elas são simplesmente seguidoras de uma religião anterior ao cristianismo.


Beth Rae

Palavras de Bruxas.




Hoje em dia, algumas bruxas, rebelando-se contra a cruel supressão da Deusa, chegam a dizer que somente Ela deve ser venerada. Uma compreensível, mas triste reação. Entretanto, o Pai de Toda a Vida, o Deus, precisa também de reconhecimento. Ele existe, e Sua omissão seria tão errada quanto a destruição da crença na Deusa Mãe. E nesta obra não faremos distinções entre o masculino e o feminino. Quando nos referirmos a bruxas, estaremos incluindo os bruxos. E vice-versa. A verdadeira meta é a reconciliação dos opostos. A amargura, o ódio e o ressentimento entre os sexos são antigos como a própria história, mas a bruxaria é a única religião que possui como alvo a cura destas feridas. Lamentavelmente, existem no mundo pessoas, de ambos os sexos que não desejam a reconciliação ou não creem nessa possibilidade. A elas, por elas, não falo. Falarei a vocês dois e talvez a outras pessoas.


Beth Rae